"Eu gosto tanto de você, que até prefiro esconder". Já cantava o grande Lulu Santos em uma de suas canções mais famosas. Gosto deste trecho, mas desta vez tenho que discordar dele. Eu quero falar para todo o mundo ouvir. Eternizar aqui o carinho que eu sinto por esta pessoa tão especial.
Ele tem olhos pequenos, comparados aos meus, mas que enxergam o mundo com uma enorme dimensão. Já o sorriso é largo, com os dentes perfeitos. Acho que é o sorriso mais bonito que eu já vi. Me transparece confiança e sinceridade. Ele é risonho, gosta de contar piada e se acabar de rir. É só um pouco mais alto que eu mas, quando me abraça, me passa toda a segurança que eu preciso.
Ele gosta de roupa preta. Se for de alguma banda de rock gringa, aí faz mais a preferência ainda. Sem contar que é adepto ao bom e velho All Star no pé. Homens que calçam isto tem um charme a mais, sem dúvida. As mãos dele parece que foram feitas exatamente para segurar as minhas. São grandes e fortes.
Ele tem um jeito único. É sociável, legal com todo mundo, simpático. Super agradável. É do tipo de pessoa que não gosta de confusão e todo mundo quer por perto. É bastante inteligente e articulado. Soma em diversos quesitos, principalmente no diálogo. Sabe conversar sobre tudo. Uma das primeiras conversas que tive com ele foi sobre meritocracia e as cotas sociais. O assunto fluiu por um bom tempo, obviamente em uma mesa de bar e ao som do Metallica. Mas a gente conversa sobre tudo, até sobre como Vaca Atolada é um dos pratos brasileiros mais gostosos que existem. Ou das praias do litoral norte de São Paulo. Ou do episódio do Chaves em que ele vende suco de limão, que parece tamarindo e tem gosto de groselha.
Ele é apaixonado por cerveja. Tanto que chega a ser enjoado. Não gosta de qualquer marca, mas é apreciador da boa e velha Heineken. Dificilmente é visto bebendo outras coisas. Ele é tranquilo.
Ele nasceu no dia 23 de setembro. Mesmo dia que meu pai. Exatamente um mês antes de mim, que comemoro em outubro. O tal número 23 me persegue desde sempre. Há anos falo que é meu número da sorte. Ganhei mais uma prova disto.
Ah, ele é colombiano. Desde que o conheci, brinco dizendo que ele veio comandar os esquemas de tráfico ensinados por Pablo Escobar lá na cidade dele, em Medellín, a segunda mais populosa do país. Ele ri, por educação, pois desconfio que não gosta muito da comparação, rs. Outra coisa que ele não gosta é da atuação do Wagner Moura no seriado Narcos. Ele insiste em dizer que o ator não sabe falar espanhol. Acho muito engraçado.
Além de tudo, ele é apaixonado pelo Nacional, time que disputa a Liga Colombiana. Aqui no Brasil ele diz ser São Paulo, mas a má fase do time já o fez pensar em virar palmeirense. Óbvio que não deixo, haha. Falando em esportes, ele me contou que jogava rugby na cidade dele. Tem porte físico para isso, mas não boto muita fé, não. Acho que ele praticava mesmo é levantamento de copo, ahahah. Só medalha de ouro. Se não bastasse, ainda torce para o Real Madrid e concorda comigo que Cristiano Ronaldo é melhor que Messi. Mais do que isso, diz que Pelé foi superior a Maradona. Nem preciso falar mais nada.
A gente se fala o dia inteiro. Ele é desses viciadinhos em celular, que não largam o aparelho por nada, o que favorece nossa comunicação quando não estamos perto. É desde bom dia até a hora de dormir. Isso quando a gente dorme, porque adoramos o inesperado, sem planejar. A gente fala e vai se encontrar, assim, do nada. E estamos juntos para o que der e vier.
O português dele ainda não é dos melhores, mas dá para entender. Ele é esforçado. Há um ano morando no Brasil, já entende super bem nosso idioma. Até arrisca algumas gírias. Às vezes me deparo com um "beleza", "tudo nosso", "brejas"... Praticamente um brasileiro já. Acho bonito ver como é dedicado nas coisas que faz.
Ele é meio bruxo. No sentido literal da palavra. Parece que tem poderes que fazem ele adivinhar as coisas que eu penso. Todo dia ele adivinha algo que vou falar. Isso quando não pensamos juntos, ouvimos a mesma música ao mesmo tempo sem combinar, sonhamos um com o outro. Isto é doido demais. Uma conexão que eu não sei explicar.
Eu não consigo ficar brava com ele. Já tive dois motivos pra isso e fracassei. Sei lá, minha vontade de ficar numa boa com ele é maior. O cara é realmente demais. Daqueles que valem a pena. Não temos tempo a perder com discussões. Mando ele se foder, que ele sabe que é mais um desabafo do que um sentimento, e já ficamos bem, rindo do que aconteceu. Tudo muito louco. Tudo muito rápido.
Tem uma música dos Engenheiros do Hawaii chamada "Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e Os Rolling Stones". É certamente uma das minhas preferidas. E acho esse nome totalmente cabível para dar título a esta publicação. É muito nós dois.
Todos os dias eu aprendo uma coisa nova com ele. Seja uma gíria colombiana, um pouco da cultura de onde ele veio, uma música legal, um sentimento diferente... Eu diria que neste 2015 tão turbulento, ele foi a melhor pessoa que eu conheci. E diria mais: acho que estava escrito que a gente tinha que se cruzar neste mundão. O que essa mistura vai dar? Confesso que eu não sei. Mas sei que estou curiosa para saber o restante das coisas boas que ele tem pra compartilhar comigo. O hoje só tem me surpreendido positivamente com este grande amigo. #PorraMed 