segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Era um garoto que, como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones

"Eu gosto tanto de você, que até prefiro esconder". Já cantava o grande Lulu Santos em uma de suas canções mais famosas. Gosto deste trecho, mas desta vez tenho que discordar dele. Eu quero falar para todo o mundo ouvir. Eternizar aqui o carinho que eu sinto por esta pessoa tão especial.

Ele tem olhos pequenos, comparados aos meus, mas que enxergam o mundo com uma enorme dimensão. Já o sorriso é largo, com os dentes perfeitos. Acho que é o sorriso mais bonito que eu já vi. Me transparece confiança e sinceridade. Ele é risonho, gosta de contar piada e se acabar de rir. É só um pouco mais alto que eu mas, quando me abraça, me passa toda a segurança que eu preciso.

Ele gosta de roupa preta. Se for de alguma banda de rock gringa, aí faz mais a preferência ainda. Sem contar que é adepto ao bom e velho All Star no pé. Homens que calçam isto tem um charme a mais, sem dúvida. As mãos dele parece que foram feitas exatamente para segurar as minhas. São grandes e fortes.

Ele tem um jeito único. É sociável, legal com todo mundo, simpático. Super agradável. É do tipo de pessoa que não gosta de confusão e todo mundo quer por perto. É bastante inteligente e articulado. Soma em diversos quesitos, principalmente no diálogo. Sabe conversar sobre tudo. Uma das primeiras conversas que tive com ele foi sobre meritocracia e as cotas sociais. O assunto fluiu por um bom tempo, obviamente em uma mesa de bar e ao som do Metallica. Mas a gente conversa sobre tudo, até sobre como Vaca Atolada é um dos pratos brasileiros mais gostosos que existem. Ou das praias do litoral norte de São Paulo. Ou do episódio do Chaves em que ele vende suco de limão, que parece tamarindo e tem gosto de groselha. 

Ele é apaixonado por cerveja. Tanto que chega a ser enjoado. Não gosta de qualquer marca, mas é apreciador da boa e velha Heineken. Dificilmente é visto bebendo outras coisas. Ele é tranquilo.

Ele nasceu no dia 23 de setembro. Mesmo dia que meu pai. Exatamente um mês antes de mim, que comemoro em outubro. O tal número 23 me persegue desde sempre. Há anos falo que é meu número da sorte. Ganhei mais uma prova disto.

Ah, ele é colombiano. Desde que o conheci, brinco dizendo que ele veio comandar os esquemas de tráfico ensinados por Pablo Escobar lá na cidade dele, em Medellín, a segunda mais populosa do país. Ele ri, por educação, pois desconfio que não gosta muito da comparação, rs. Outra coisa que ele não gosta é da atuação do Wagner Moura no seriado Narcos. Ele insiste em dizer que o ator não sabe falar espanhol. Acho muito engraçado.

Além de tudo, ele é apaixonado pelo Nacional, time que disputa a Liga Colombiana. Aqui no Brasil ele diz ser São Paulo, mas a má fase do time já o fez pensar em virar palmeirense. Óbvio que não deixo, haha. Falando em esportes, ele me contou que jogava rugby na cidade dele. Tem porte físico para isso, mas não boto muita fé, não. Acho que ele praticava mesmo é levantamento de copo, ahahah. Só medalha de ouro. Se não bastasse, ainda torce para o Real Madrid e concorda comigo que Cristiano Ronaldo é melhor que Messi. Mais do que isso, diz que Pelé foi superior a Maradona. Nem preciso falar mais nada.

A gente se fala o dia inteiro. Ele é desses viciadinhos em celular, que não largam o aparelho por nada, o que favorece nossa comunicação quando não estamos perto. É desde bom dia até a hora de dormir. Isso quando a gente dorme, porque adoramos o inesperado, sem planejar. A gente fala e vai se encontrar, assim, do nada. E estamos juntos para o que der e vier.

O português dele ainda não é dos melhores, mas dá para entender. Ele é esforçado. Há um ano morando no Brasil, já entende super bem nosso idioma. Até arrisca algumas gírias. Às vezes me deparo com um "beleza", "tudo nosso", "brejas"... Praticamente um brasileiro já. Acho bonito ver como é dedicado nas coisas que faz.

Ele é meio bruxo. No sentido literal da palavra. Parece que tem poderes que fazem ele adivinhar as coisas que eu penso. Todo dia ele adivinha algo que vou falar. Isso quando não pensamos juntos, ouvimos a mesma música ao mesmo tempo sem combinar, sonhamos um com o outro. Isto é doido demais. Uma conexão que eu não sei explicar.

Eu não consigo ficar brava com ele. Já tive dois motivos pra isso e fracassei. Sei lá, minha vontade de ficar numa boa com ele é maior. O cara é realmente demais. Daqueles que valem a pena. Não temos tempo a perder com discussões. Mando ele se foder, que ele sabe que é mais um desabafo do que um sentimento, e já ficamos bem, rindo do que aconteceu. Tudo muito louco. Tudo muito rápido.

Tem uma música dos Engenheiros do Hawaii chamada "Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e Os Rolling Stones". É certamente uma das minhas preferidas. E acho esse nome totalmente cabível para dar título a esta publicação. É muito nós dois.

Todos os dias eu aprendo uma coisa nova com ele. Seja uma gíria colombiana, um pouco da cultura de onde ele veio, uma música legal, um sentimento diferente... Eu diria que neste 2015 tão turbulento, ele foi a melhor pessoa que eu conheci. E diria mais: acho que estava escrito que a gente tinha que se cruzar neste mundão. O que essa mistura vai dar? Confesso que eu não sei. Mas sei que estou curiosa para saber o restante das coisas boas que ele tem pra compartilhar comigo. O hoje só tem me surpreendido positivamente com este grande amigo. #PorraMed 💙

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Meu U2 está de volta!

Foi dada a largada! A banda irlandesa de rock U2 fez seu primeiro show da Innocence + Experience Tour na noite desta quinta-feira, em Vancouver, no Canadá. Com a Rogers Arena lotada, milhares de fãs de todo o mundo estiveram na apresentação. A equipe do U2Br, um dos principais fã-clubes do Brasil, compareceu ao local e acompanhou de perto esse momento especial.

Por determinação da Live Nation, os shows do U2 não terão banda de abertura nesta turnê, ao contrário do que aconteceu em 2011, com Muse, e em 2006, com Franz Ferdinand. Acho bom e ruim ao mesmo tempo. Ruim porque se perde a oportunidade de conhecer o trabalho de outras bandas, como aconteceu comigo em 2011, ao ver e aprovar o grupo de Matthew Bellamy, mas bom porque os ingressos ficam voltados apenas para os fãs da banda e a chance de compra se torna maior.

Sem show de abertura, o espetáculo começou sem muitos rodeios. Apesar do atraso de pouco mais de uma hora, os irlandeses subiram ao palco e fizeram o que sabem de melhor. O setlist estava bastante misto pois, como de costume, reunia músicas de vários álbuns. Tocaram I Will Follow, Out of Control, Desire, Sweetest Thing, e outras mais clássicas nos shows, como Where The Streets Have no Name, Sunday Bloody Sunday, With of Without You, entre outras, além de as do novo álbum Songs os Innocence.

Só tenho aspectos positivos para apontar. The Edge, como sempre, arrebentou nos acordes. Ele caiu do palco enquanto tocava, mas já passa bem. Todos eles ainda precisam se adaptar à nova estrutura do palco. Bono não desafinou nenhuma vez e, mesmo com uma prótese de titânio no cotovelo, estava serelepe como sempre, o que só reforçou que ele jamais perderá a essência. Larry até sorriu para fotos! Quem é fã do U2 sabe como é raro vê-lo sorrindo. E o Adam, como sempre, foi muito simpático. Até conversou com os fãs na fila do lado de fora, tirou fotos e distribuiu autógrafos. A equipe da banda distribuiu pizzas e garrafas de água aos fãs que estavam esperando.

Os membros do U2 estavam muito ansiosos por esse momento. E a equipe de mídias digitais também, já que todos os dias publicavam um teaser na página oficial do Instagram, relatando a quantidade de dias restantes até a abertura oficial da turnê. Mas essa ansiedade toda não era pra menos. A banda passou por vários momentos inesperados desde que começou a gravar as novas músicas. Primeiramente, a saída do empresário Paul McGuinness, que era considerado um quinto membro da banda, após 35 anos de trabalhos com os irlandeses. Depois, a cirurgia do Bono, que teve nove fraturas ao cair de bicicleta, fato que poderia ter comprometido toda a sua carreira. Além disso, a ideia de presentear os donos de iPhone com o novo álbum, o que desagradou muita gente. E, para piorar, anteontem, na véspera da abertura desta turnê, o pai do baterista Larry Mullen Jr. faleceu na Irlanda, o que remeteu a imagem que vemos na capa do novo CD, de amor entre pai e filho.

Em um geral, temos de comemorar e agradecer: O U2 está de volta! Ainda sem data definida, a Innocence + Experience Tour deve passar pelo Brasil no ano que vem. A banda já foi confirmada na América do Sul em 2016 e não deixará de passar pelo país que esgota milhares de ingressos em minutos e os recebe tão bem. Resta conter a ansiedade e esperar.

sábado, 1 de março de 2014

Efeito carnaval

De vem em quando surgem alguns devaneios de parte da minha infância. E é claro que nessa época de carnaval não poderia ser diferente. Atualmente, acompanhando os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo, mestres nesse evento, enxergo com outros olhos tudo o que acontece na avenida, diferente da visão de menina que tinha há alguns anos.

Lembro perfeitamente da primeira vez que minha mãe me levou para ver o desfile aqui em Mogi das Cruzes, cidade onde moro. A chuva (como todo ano!) impediu que a magia tivesse sido maior do que minha primeira impressão pudesse comportar, mas não fez com que o brilho fosse embora por inteiro. Na época não entendia muita coisa sobre isso, porém sei que tanta alegria reunida certamente me contagiou também.

Confesso que não sou uma pessoa adepta a carnavais. Nunca gostei de samba no pé, tampouco nos meus ouvidos. Mas acredito que a energia positiva que parece existir naquele espaço tem poder para mudar isso tudo. A combinação de sorriso e alegria presente no rosto das passistas, regado do gingado e carisma, resulta no espetáculo carnavalesco tão bonito de se assistir. Chega a envolver o público, por ser algo tão bem preparado.

Se existe algo que não posso deixar de elogiar são os carros alegóricos. Para mim é a parte mais bonita da festa. Quando criança eu morria de medo. Aqueles bonecos enormes (vide imagem acima da Grande Rio) não pareciam ter boas intenções comigo, diante dos meus seis anos de idade e seus oito metros de altura. Mas hoje em dia acho sensacional. A produção é tão cuidadosa que resulta em uma apresentação de alto nível. Carro alegórico para mim é cultura, já que existem manifestações artísticas e sociais por trás dele, além de reunir música, teatro e dança.

Depois que cresci, nunca mais fui a um carnaval, seja em desfile pelas avenidas do país ou o mais popular, que é 'de rua'. Nesse ano, espero passear por aí, mas sem rumo. Primeiramente, quero explorar o evento na região onde moro, que todos falam muito bem e dizem ser indispensáveis para quem vive por aqui. Mas não tenho um foco específico. De antemão: música, Budweiser e bom papo não podem faltar. E, claro, reencontrar as alegorias que tanto me atraem. Boa festa para nós!